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06.07.10|Brasil precisa investir RS$ 37 bi até 2015 em inovação para dominar tecnologia LED.

        A indústria e o governo brasileiros precisarão investir US$20 bilhões (R$37,18 bilhões) em pesquisa e inovação até 2015, para desenvolver e produzir lâmpadas LED e competir internacionalmente sem depender de importações de um dos componentes mais essenciais para eficiência energética do mundo.
        A estimativa é do professor e engenheiro eletricista José Gil Oliveira, chefe da seção técnica de Fotometria do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP (IEE/USP), que desde 1990 pesquisa eficiência energética em iluminação LED (sigla em inglês para diodo emissor de luz).
      "Isso é o que eu estimo que está sendo investido nos EUA. Com isso, conseguiremos cortar caminho e alcançá-los", afirmou Oliveira referindo-se aos investimentos da indústria destinados à pesquisa em LED no maior celeiro de inovações do segmento no mundo, o Vale do Silício, no estado da Califórnia.
       "Eu como brasileiro gostaria que a gente estivesse na vanguarda. E que o governo tivesse uma política de pesquisa para acompanhar isso. Se a indústria brasileira começar agora, tem até 15 anos para poder se adaptar, ou seja, ter um produto competitivo, mais eficiente, com escala, mais barato."
        O período de 15 anos é o tempo em que especialistas estimam que a tecnologia LED estará amadurecida, tendo alcançado um alta eficiência energética e apta a ser comercializada em larga escala, com preços competitivos em todo o mundo.
        Esses 15 anos, contudo, são observados como um período de transição para o que o mercado e especialistas têm como fato consumado: o LED é a próxima geração de iluminação.
        E é por isso que Oliveira não está sozinho ao defender o caráter estratégico da necessidade de desenvolvimento doméstico do LED de alta intensidade luminosa para substutir no futuro as lâmpadas fluorescentes compactas, que hoje começam a tomar o lugar das incandescentes, uma tecnologia de 1879, cujo banimento está acontecendo mundo afora.
        A melhoria da eficiência energética dos sistemas de iluminação no Brasil é defendida no estudo "Caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no Brasil", da McKinsey & Company, que identifica as principais oportunidades para que o Brasil atenda o ideal de abatimento de emissões de carbono de 70% até 2030, contra o aquecimento global catastrófico.
        Em iluminação, eficiência energética é a razão entre o potencial luminoso de uma fonte de luz, medido em lumens, e o consumo de energia, medido em watts. O estudo da McKinsey indica que a troca de lâmpadas incandescentes de 12 lúmen/watt e CFL (lâmpadas fluorescentes compactas) de 60 lúmen/watt por LED de de 150 lumens/watt será responsável pela conservação de 2,12 toneladas de gases do efeito estufa até 2030 - o equivalente a 25% das oportunidades de redução de emissões de carbono do setor de construção civil no ano base de 2005.
        Segundo Oliveira, a pesquisa no país está num patamar inferior aos líderes mundiais como Estados Unidos, China e Europa e não existem fábricas brasileiras. O que há são cerca de 60 montadoras de LED, que importam os componentes e por cujo uso pagam royalties. "Todo o desenvolvimento e a fabricação mundial de componentes concentra-se na China", disse.
         A implantação de fábricas no Brasil contribuiria para baratear o LED no país e torná-lo mais confiável, garantindo a demanda, reduzindo o tempo de espera por produtos e por assistência técnica, afirmou o engenheiro eletricista Márcio Visini, analista comercial do setor de Coordenação de Usos Finais da AES Eletropaulo, distribuidora de energia elétrica no estado de São Paulo. Segundo Visini - que avalia produtos LED para aplicação em iluminação de rua, como semáforos -, a redução da carga tributária também é fundamental para o desenvolvimento do mercado.
       Entretanto, essa realidade parece se manter bastante distante para o brasileiro. Ainda não há política pública no Brasil em prol do desenvolvimento de um mercado local para a tecnologia. Almeida afirma que, no Brasil, até agora não foram divulgados dados que compilem os investimentos em pesquisa e inovação no setor.

Fonte: Site Abesco